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PiG ataca novamente

Quando o assunto é o Partido da Imprensa Golpista – PIG, Pesquisadores e Técnicos do INEP são obrigados a abandonar seus postos de pesquisa, colocar os dedos no giz e voltar para o quadro-negro.

Nesse contexto, um dos representantes mais rancorosos da corrente de extrema direita que se instalou dentro do PIG, Reinaldo Azevedo, fez uma pequena nota sobre o INEP, com direito a especulações implausíveis em sua conclusão. Reproduzimos logo abaixo, respeitando as aspas colocadas pelo autor da nota:

Funcionários do INEP reagem a pressão de Haddad e ameaçam abrir “caixa-preta” do ENEM

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010 | 5:47

Esta vem lá de alguém que conhece direitinho como funcionam as coisas no Ministério da Educação, comandado pelo ausente e trapalhão Fernando Haddad:

“A situação está tensa no INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais). O órgão, que é responsável pelas avaliações do MEC (ENEM, Enade, Censo Escolar etc), está sob pressão desde que o ministro Fernando Haddad obrigou-a transformar o ENEM em um vestibular unificado para as universidades federais. Como o ministro tem insistido em colocar a culpa pelos erros do ENEM nos servidores do instituto, a situação está insuportável. Para agravar o quadro, eles buscam a adequação do seu Plano de Carreira, já que 40% dos aprovados no último concurso saíram do órgão, e aprovaram nesta segunda, em assembléia, uma greve a partir de sexta-feira. O presidente do INEP bloqueou o blog dos servidores, e agora eles prometem abrir a caixa-preta do ENEM”.

Ok, então vamos lá, ponto a ponto, respeitando o desconhecimento prévio do interlocutor e sua indisposição ao perceber seu horizonte ser descortinado pelo conhecimento:

  1. A situação não está tensa por aqui, nós, os servidores, estamos conscientes da urgência da nossa demanda, e nunca esquecemos da importância do nosso trabalho para a educação brasileira. Sim, isso significa muito para cada um de nós. A maioria dos servidores aqui sabe que, em termos econômicos, poderia ser melhor remunerada na iniciativa privada ou em outras carreiras do serviço público. Isso talvez explique o elevado índice de evasão. Mas aqueles que aqui se encontram estão dispostos a sensibilizar o governo para que ele perceba o caráter estratégico dessa carreira, o elevado nível de formação e o profissionalismo de seu quadro e reivindicam seu direito de construir uma carreira de Estado e de serem retribuídos de forma justa por isso. O mínimo que se requer é um plano de carreira digno, com estímulo à qualificação contínua e à permanência dos servidores. O plano atual não contempla os dois primeiros fatores e tem um adicional de incoerência que é a exclusão das mulheres, que não poderão chegar ao topo da carreira, pois terão se aposentado antes.
  2. Se existe alguma divergência de entendimento dentro do órgão sobre a urgência de se reformular o plano de carreira, essa surgirá dentro da disputa política a ser feita no Congresso Nacional. Os servidores estão organizados e vão buscar sensibilizar os parlamentares e o governo sobre a necessidade de adequação do seu plano de carreira. Cabe ao governo, incluam-se os ministros da Educação e do Planejamento, decidir se a demanda é justa e oportuna. O que não está em discussão por nós servidores é o compromisso do ministro da Educação e do presidente do INEP com a educação brasileira, algo que está longe de ser uma dúvida. Se estamos conscientes do desafio que é lutar por educação de qualidade em um país imenso e desigual, também estamos conscientes de que essa luta não seria liderada por qualquer um.
  3. Não existe caixa preta do INEP. A segurança da informação é algo valioso aqui dentro, e todos amargamos fortemente a tristeza de ver a ganância e irresponsabilidade de alguns desavisados em prejudicarem o trabalho de uma equipe enorme e dedicada, sem falar no dinheiro público que foi desperdiçado. Rechaçamos conjecturas fantasiosas. Quem trabalha com educação sabe que não existem segredos nesse campo. O que existe é um esforço gigantesco para compreender a realidade da educação brasileira para que possamos subsidiar a elaboração de políticas cada vez mais eficazes. Os dados estão aí, à disposição de todos, façam bom uso e saiam do campo das conjeturas.
  4. Finalmente, apostar que os servidores do INEP estariam dispostos a chantagear o governo em busca de uma pauta corporativa é menosprezar a nossa formação educacional, ética e a nossa capacidade de mobilização. A melhor resposta para isso é a transparência. Continue acompanhando o dia-a-dia deste movimento pelo blog e tente conhecer melhor nossas práticas. Ao final, você verá que está lidando com membros de uma carreira estratégica e comprometida com o desenvolvimento do país.

 

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